eco-friendly.jpg

A ECOLOGIA DO TODO

 

Poderíamos tecer muitas teorias, teses ou hipóteses para colocar em pauta uma situação para a qual temos ouvido notícias a todos os instantes, e eu diria mais ainda, que além de ouvido, temos visto, inalado, degustado e sentido com uma constância que, pela insistência ou excessiva frequência em que chega aos nossos cinco ou mais sentidos, possa estar sendo banalizada, ou como
diriam os ditos populares: “ ... caindo na vala comum ...”.
Temo por este processo, por esta perspectiva, de que a ecologia esteja em vias de se tornar apenas mais uma ciência chata e cheia de teorias, onde o que se teoriza é muitas vezes mais bonito de se ler do que se praticar, muito mais fascinante de idealizarmos, até no sentido de ideal, do que vivenciarmos de fato.
Convido aos amigos para uma reflexão simples, baseada em um tema que tem ultrapassado todas as medições de audiência em qualquer mídia que, pelo menos eu, tenho tido conhecimento, estou falando da ESCASSEZ DE ÁGUA.
Muito se fala deste assunto, mas peço que gaste um minuto de seu tempo para um simples raciocínio lógico e desprovido de qualquer magnífica teoria científica ou mesmo sem nenhuma intenção de campanha ecológica, econômica ou da teoria do caos.
A primeira reflexão se dá de uma forma macro, todos sabemos das circunstâncias que o Planeta Terra, ironicamente já cantado como “planeta água”, vive em relação ao seu bem maior, de onde toda vida surgiu e do qual toda a vida tem estabelecida uma dependência direta ou indireta. Não precisamos reafirmar que os recursos hídricos do planeta azul, o nosso, agonizam.
Já na segunda reflexão, o convite é para uma análise micro. Quero falar de cada um de nós, seres humanos. Cada corpo humano é composto de água em média, entre 70 e 75%. Também na média, a proporção de água no corpo humano é idêntica à proporção entre terras emersas e águas na superfície do planeta Terra. Estranha coincidência! Melhor não tirar nenhuma inferência ou conclusão ainda.
Gostaria de relembrarmos juntos das aulas de química em que a famosa “Tabela Periódica” nos foi apresentada. Lá, o Hidrogênio se coloca soberano no alto da coluna 1A e o Oxigênio, também no ponto mais alto da coluna 6A. Certamente, todos lembram de que a nossa água é a junção de ambos. Lembram-se do H2O?
Longe de estabelecermos uma aula de química neste momento, recordo a todos que lá, além de nossos dois amigos acima, se apresentam mais 101 elementos. E que tudo que conhecemos em nosso planeta, e tudo é tudo mesmo, está constituído de um ou mais deles, em especial nós mesmos, ou seja, os 25 ou 30% que não a água.
Toda esta preleção destina-se a refletirmos profundamente, que tudo, e mais uma vez reafirmo, tudo mesmo, que conhecemos é constituído pelos mesmos elementos, apenas dispostos e combinados de forma que resultem em diferentes formas de vida sobre o planeta. Portanto, aprofundando um pouco mais nosso exercício de reflexão, quando qualquer elemento, mesmo que de fama infinitamente menor aos atuais astros, Hidrogênio ou Oxigênio, esteja sendo degradado, destruído ou sofrendo qualquer tipo de adulteração não espontânea ou natural, nós, em maior ou menor grau, também o estamos.
Quando falamos em ECOLOGIA, muito possivelmente vem às nossas mentes, grandes árvores sendo derrubadas indiscriminadamente, animais sendo mortos pelas suas peles e outros itens de alto valor comercial, empresas despejando seus poluentes em belos rios de águas cristalinas, milhões de veículos emitindo gases extremamente nocivos à saúde, inclusive de seus próprios condutores. Obviamente tudo isso e, infelizmente, muitas e muitas outras circunstâncias e atitudes podem ser inclusas neste triste rol de destruição do planeta em que vivemos.
Quero chamar a atenção para outra versão de ECOLOGIA, uma que começa de dentro de cada um de nós, uma que nos força a refletir o que
temos feito com cada um dos 103 elementos da tabela periódica que compõem o nosso corpo, ou o nosso micro planeta Terra. Pensarmos que, à exceção do ser humano, é muito forte em todos os seres, manter sua essência sempre equilibrada e intacta, pois “irracionalmente” sabem que disso depende sua própria sobrevivência e de todo o sistema em que ele está inserido, mesmo que a relação seja entre presa e predador.
Pergunto: Somos diferentes?
Não dependemos de preservarmos nossa integridade ou constituição para a eterna busca ou manutenção de nossa saúde física e mental? Imediatamente após um resultado de hemograma apontando baixos níveis de ferro (Lembram-se do Fe na tabela periódica?), saímos apressadamente para adquirirmos suplementos deste elemento a fim de evitarmos uma possível anemia.
Em suma, o que sugiro que cada um de nós faça, é uma verdadeira introspecção e reflexão sobre o que é ECOLÓGICO, e antes do em qualquer outro nível de discussão, o que de fato é ecológico dentro de nós mesmos. Existe um ecossistema dentro de cada célula de cada ser humano que precisa, pelas mesmas razões de que qualquer outro ser vivo, ser preservado, cuidado e constantemente reajustado. Estarmos em equilíbrio, físico e mental nos leva a um ecossistema em perfeito funcionamento. Quando cada integrante da cadeia ecossistêmica se equilibra, todas as relações de sistema são equilibradas automaticamente.
Multipliquemos esta ação pela quantidade da população do planeta (estamos em uma contagem momentânea de aproximadamente 7,3 bilhões de pessoas); somemos isso aos demais seres dom planeta, que em geral se auto equilibram ecologicamente, diante de nossa não interferência negativa, o resultado seria o equilíbrio, a perfeita harmonia ecossistêmica e obviamente a harmonização das relações entre tudo que habita em Planeta Azul.
No entanto, reforço que a harmonia, o bem-estar, a felicidade, a paz, e eu peço licença de chamar de “equilíbrio ecológico do todo”, inicia-se internamente em cada átomo de cada célula, que forma cada tecido de cada órgão em seus respectivos sistemas, formando nosso micro planeta. Somos a réplica fiel do planeta, tudo que está dentro de nós, também está fora, e por nossa vontade ou não, interage a cada instante de nossas vidas.
Cabe a nós cuidarmos desta harmonia, desde a mais primária partícula até o TODO. Se refletirmos sobre estas colocações e relembrarmos mais uma vez da nossa querida tabela periódica, a frase abaixo, que já se tornou título de filme, fará cada vez mais sentido e se tornará uma verdade transformadora que circulará de dentro nós para o TODO.
“SOMOS TODOS UM” 

 

Ronaldo Caggisi